Faz algum tempo que trabalho de Helper (Kaigosha) no Japão e afirmo que me decepcionei com muitas coisas até o momento.
O serviço é agradável em si, apesar do corre-corre e alta-responsabilidade que temos em cuidar de tudo e todos nos mínimos detalhes. Não estamos lidando com pessoas saudáveis e cheia de disponibilidade e energia. Estamos lidando com idosos com idade de 89~95 anos de idade (ou mais). Apesar de muitos deles parecerem cheio de saúde, os problemas nessa idade tendem a ficar cada vez mais sérios e rápidos no avanço.
Passamos o dia fazendo deveres normais, cuidando da alimentação, medicamentos, higiene (banho - o tradicional OFURO) e quando nos sobra tempo conversamos muito e exercemos vários tipos de atividades (fisioterapia).
Nem sempre tudo é perfeito. Nem todos os Helper's são bons no que fazem. Sempre há algum que faz um tratamento errado. Em palavras claras, "mal tratamento". Mas acho que isso têm e sempre terá em qualquer lugar do mundo. Eu já pensei em mudar alguma coisa, porém, em minha situação de estrangeira no Japão, não posso fazer nada e não irei me intrometer aonde não fui chamada... (Penso assim em certas ocasiões hoje em dia).
Meu ambiente de trabalho é maravilhoso, os Helper's de minha unidade são pessoas fantásticas, jovens com um coração de ouro. Completamente capazes de compreender o ser humano em sua fase mais crítica e delicada da vida! Até porquê, quem está ali, não terá outro lugar para ir, a não ser esperar pelo fim... Somos sua família, somos seus melhores amigos e parentes, somos seus melhores e únicos confidentes.
Eu particularmente não quero, nunca e jamais envelhecer como eles envelhecem. Em meu ponto de vista, no que aprendi com eles, envelhecer é experimentar o sabor da tristeza... todos os dias em um copo dissolúvel, com um leve sabor de cereja...
Mas nem tudo é justo mesmo para os Helper's. Principalmente quando este é estrangeiro.
Quando ingressei no grupo de estrangeiros para o trabalho de Helper no Japão, estávamos em mais ou menos 15 pessoas para o curso de geriatria. Fomos o único grupo de apenas estrangeiros, muitos estrangeiros ingressam com os japoneses. Somos um número pequeno de Helper no Japão, em comparação com o número de idosos.
A população no Japão é de 127 milhões (estatística de 1 de Outubro de 2004), e o número de idosos é de 20%, (26 milhões) - (estatística de 2005). É a nona maior população do mundo e a primeira no ranking mundial de idosos, ultrapassando a Itália.
E o número irá aumentar. Mas o número de Kaigosha's ainda é pequeno e muitos páram no meio do caminho ou exercem a profissão por um curto tempo. Alguns dizem por ser um serviço de muita responsabilidade e alguns afirmam que acham muito difícil e complicado. Claro que é complicado e de alta responsabilidade! Não estamos lidando com eletrônicos! Estamos lidando com seres humanos, oras bolas...
Mas enfim, quando terminamos o curso de Kaigosha, estávamos em mais ou menos 10 estrangeiros.
De início, a promessa era de que seríamos tratados com igualdade em todos os sentidos, salário, férias remuneradas, bônus, e outros afins, como todos os japoneses têm direito nesse ramo de trabalho. Tudo foi muito bonito, o discurso que eles fizeram em uma sala V.I.P de um prédio de luxo da cidade de Omiya/Saitama, conhecemos o presidente (que inclusive fez um lindo discurso sobre igualdade!) e fomos muito bem tratados. Ouvimos tudo que queríamos e tiramos todas as nossas dúvidas. Sem nada à acrescentar.
Saímos dali satisfeitos acreditando que apesar de estarmos cientes de que o trabalho não seria fácil, seríamos tratados com a mesma igualdade e direito!
Fomos divididos para vários lugares, alguns não começaram tão cedo como eu e mais 2 outros estrangeiros (que fomos para o mesmo lugar). Eu moro em Konosu e trabalho todos os dias em Kawaguchi, acordo 5, 5:20 da manhã e pego o trem das 7hrs, e passo exatamente 1 hora andando de trem, faço 3 Norikae's (troca de trem) e chegando no destino ainda preciso andar mais 20 minutos. A volta para casa é o mesmo percurso e chego por volta das 19:40. Então somando, são exatamente 2hrs 40 minutos de viagem todos os dias casa-trabalho.
Aliás! Me desculpem se não respondo no msn! Mas agora acho que vocês entendem como fico exausta quando chego em casa ou a minha ausência né?! rs...
...De início assinamos um contrato (todo em japonês) sobre manter em sigilo e segurança toda e qualquer informação da unidade que trabalhamos. Após algum tempo trabalhando, eis que nos chega em mãos um novo contrato, esse totalmente diferente. Nesse contrato diz que após receber o Shikaku (conclusão do curso/diploma) teríamos o direito do aumento de 10 yenes a hora (um absurdo!) mas sem direito à férias remuneradas, bônus, e outros etc... e se não alcançarmos o tempo determinado de 2 anos de trabalho na unidade, teremos que efetuar o pagamento da escola de geriatria que seria de mais ou menos 80.000 yenes. (É exatamente o que recebemos de salário atualmente nesse trabalho) Pois descontando seguro, impostos e aposentadoria, é eliminado praticamente a metade do salário! (Isso que dizem no Brasil que nadamos em rios de dinheiro, heim!)
Eu particularmente fiquei não só decepcionada, mas fula da vida, enquanto que em minha mesma unidade vejo um ser incapaz de exercer qualquer atividade ganhando 3 vezes melhor do que um estrangeiro com todos os direitos em mãos, enquanto ouço reclamação por parte dàqueles que olhamos, que não querem ele por perto, que ele os tratam mal, que eles têm medo da presença dele, etc... Tudo bem, não estou em meu país para exigir a mesma categoria, mas estou em uma profissão que exijo a mesma igualdade! Não sou ilegal aqui e não faço menos que eles!
Por esse e outros motivos, encerro a minha profissão de Helper no Japão. E tem mais, não indico para àqueles que procuram exercer a profissão. Esse Shikaku não adiantará em nada em outros países, ele só é válido para o Japão pois aqui é dividido em N categorias, e a categoria de Helper aqui, não é a mais completa e certa.
Muitos estrangeiros estão pensando em fazer o curso de Helper e com o Shikaku poder trabalhar no Brasil, mas estão meramente enganados sobre os detalhes. você só irá receber o Shikaku dentro de 6 meses (junto com o curso que é de 3 meses). Eu concluí o curso, mas como irei fazer as malas antes de fazer o Jishuu como prova final (sair como voluntário em outras unidades e particular) não irei receber o Shikaku e ainda terei que pagar a escola.
Aqui eu trabalho para o governo, já ouvi dizer que quem trabalha particular recebe melhor. Mas antes disso tudo acontecer, vai muito tempo... Temos tempo suficiente e dinheiro para o sustento de todas as necessidades? Creio que não...
A situação atual é de que, eles aproveitaram da situação atual do estrangeiro hoje no Japão oferecendo um trabalho na qual os próprios japoneses não querem fazer, encurralando-nos com um mísero salário. Assim, uma certa pressão quando muitos se encontram sem saída e precisam aceitar qualquer coisa para sobreviver. Eu entrei na onda, por curiosidade, não só por necessidade, mas queria experimentar novos cursos e ramos de trabalho, já que é meu prazer aprender novos conceitos.
Para àqueles que ainda assim pretendem exercer a profissão, boa sorte. Porém eu não aconselho ninguém à fazê-lo por profissão mas apenas por experiência de vida...
Comentários
09.06.2010
Interessan te. Ele é bem robust o, p [...]
16.05.2010
Daniella, Vou entra r em conta to v [...]
15.05.2010
No momento em Shiga, Otsu, que coi [...]
15.05.2010
E onde ocê tá??? Ky oto mesmo? ??
14.05.2010
E eu juro que não fu i eu!